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Blog: A vida de coadjuvante de Neymar no Barcelona


 
Publicado em 06/09/2013 - 01:21:09


Brasília...

Neymar foi protagonista desde menino.

Seu talento o fazia ser o especial.

Se acostumou a ser privilegiado.

Onde quer que fosse.

Estava acostumado a ser o especial.

No vácuo de geração que encontrou no futebol brasileiro, foi rei.

Quando foi canonizado.

Ele virou o maior ídolo.

O enviado capaz de fazer o Brasil campeão da Copa de 2014.

Ganhou Libertadores, Copa do Brasil, Recopa, Paulistas pelo Santos.

Sentiu que estava perdendo tempo.

Não tinha mais nada a aprender.

E nunca negou seus objetivos maiores.

Sabia que para ser um dos melhores do mundo tinha de estar entre os melhores.

Acabou encontrando justo o melhor de todos.

Messi.

E viu descobriu que não é o dono do mundo.

O assédio, a fila de patrocinadores, a atenção dos dirigentes.

Os olhares dos companheiros Iniesta, Xavi procuram o argentino.

Neymar é muito esperto.

E sabe bem o que aconteceu com Robinho, seu companheiro de farras.

Ele bateu no peito ao sair do Santos.

Subiu no alto da montanha e gritou que seria o melhor do mundo.

Fez questão de vestir a camisa 10 na sua apresentação em Madrid.

Tudo que conseguiu foi criar uma antipatia crônica pelos companheiros do Real.

Raul comandou o boicote ao brasileiro narcisista.

Robinho perdeu o rumo e não foi o jogador que poderia ter sido.

Neymar muito bem orientado e instintivo, percebeu.

Leu o manual de sobrevivência na Catalunha.

Na sua primeira entrevista depois de ter ido ao Barcelona está transparente.

Está amadurecendo a fórceps.

Aprendendo a ser discreto.

Ídolo não precisa ficar mudando cor e corte de cabelo todos os dias.

Tem de pensar, se posicionar com calma, firmeza.

Foi o que fez aqui em Brasília.

"Eu respeito e tenho de respeitar o Messi. E não é pouco, não. É muito. Ele é quatro vezes o melhor do mundo. Se bobear, ele ganha pela quinta vez. É meu ídolo. Meu espelho."

Palavras sinceras e inesperadas.

Neymar sabe que só tem a perder ao tentar posar de estrela.

É fácil perceber que ele não se sente à vontade sendo paparicado outra vez.

Não quer nem saber de ser o 'Messi'brasileiro.

"Cada um tem a sua função na Seleção Brasileira. Uns marcam, outros precisam fazer gols. Sou apenas mais um. Não existe essa história de ser o cara. Faço o que for melhor para o grupo. Sigo o que o Felipão determina. Já tenho muita responsabilidade. Querer me dar mais é sacanagem...'

O discurso tem seriedade e profundidade novas.

Neymar está aprendendo a ser coadjuvante.

Embora não esteja acostumado e nem goste da palavra.

"Não sei se bem um coadjuvante. O Barcelona tem grandes jogadores. Com exceção do Messi, somos todos coadjuvantes. Isso é importante para o time. Ninguém quer ser mais do que ninguém."

Mas a tentação é grande e contínua.

Maradona deu entrevista o elogiando.

E até o avisou para tomar cuidado com a musculação.

Não ganhar muita massa muscular para prejudicar sua movimentação, seu dribles.

"O Neymar, sem dúvida, é o jogador que deve ser observado. Ele sabe o que fazer, e não precisa ser fisiculturista. Que não coloquem esse peso sobre ele. O Neymar apenas tem de jogar futebol."

O jogador sorriu satisfeito ao ouvir a pergunta.

Lógico que já tinha lido a declaração de ontem na Internet.

"Eu fico muito feliz com o elogio do Maradona. E está tudo correndo bem no Barcelona. O importante é eu me sentir bem fisicamente. É isso que importa."

Neymar se enquadrou porque quis.

Segue a cartilha do Barcelona.

E está usando Messi como espelho de verdade.

Percebeu que menos pode ser mais.

A Espanha, rica em ídolos, está fazendo muito bem.

Diminuiu a sensação de ser um Beatle que vivia no Brasil.

"Minha vida lá está mais tranquila. Tenho tido mais liberdade do que tinha aqui. É outra cultura, outro idioma, que já estou falando um pouco."

Tranquilidade era tudo o que Neymar nunca quis.

Ou valorizou por aqui.

Mas na Catalunha é diferente.

Ainda mais para quem quer muito mais da carreira.

Nunca vai admitir publicamente.

Sabe o quanto Robinho sofreu por abrir a boca, se expor.

"Eu nunca falei que seria o melhor do mundo. Nunca. Vocês (repórteres) sabem muito bem. Eu quero jogar bem e ajudar o time em que eu estiver."

Neymar não é bobo.

Sabe do seu potencial.

E reconhece que está sim melhorando taticamente.

"No Barcelona estou fazendo outras funções táticas. Como marcar a saída de bola do adversário. Como fizemos na Seleção na Copa das Confederações. Estou aprendendo."

É o que Neymar mais precisa.

Aprender de vez a otimizar todo o talento natural.

E usá-lo em prol do time.

Esquecer de cabelo, dancinhas ridículas, micaretas.

Seguir o seu espelho.

Aproveitar ao máximo estar ao lado do melhor do mundo.

Um dia, se tudo der certo, pode voltar ao que mais gosta.

Ser o protagonista no Barcelona.

Mas agora o momento é de ser humilde.

Assumir ser coadjuvante.

E, principalmente, aprender.

Melhor professor não poderia ter.

Excelente para a Seleção Brasileira.

Maravilhoso para Neymar.

Que tem o mesmo sonho de Robinho.

Só que é muito mais esperto.

Só não assume em voz alta.

Sabe esperar...

Fonte: Blog do Cosme Rímoli

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